Mulher viúva procura...
 
 
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Marisa Bueloni
Exponho neste espaço uma coletãnea de Artigos e Reflexões sobre diversos temas religiosos que nos dias de hoje se fazem presente, com o objetivo de Levar a palavra de Deus aos irmãos e testemunhar o amor que sentimos por Jesus, Maria e Nossa querida e Santa Igreja Católica.




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Postado em: 26/02/11 às 22:06:39 por: James
Categoria: Marisa Bueloni
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(Marisa Bueloni)


Eu não procuro nada. Não sou eu. Sou viúva sim. Mas não estou à procura. Imagine se estivesse. Ai, ai, ai. O título é só uma brincadeira, uma paráfrase do que se lê por aí, quando as pessoas anunciam que estão interessadas em procurar seus pares.


É que, ultimamente, têm aparecido ótimos candidatos e eu fico assim – como diria? – com o ego nas alturas. Não. Não quero ficar. Pretendo permanecer humilde e pequenina, sem permitir que o ego fique inflado com alguns pequenos elogios e convites para sair.

Lembro do texto de Clarice Lispector, quando o homem da fronteira a convidou para um “passeíto”. E ela respondeu com determinação: “Eu, hein?”.

Tenho respondido “eu, hein?” algumas vezes, mas é sempre com respeito para com quem me convidou. Da mesma forma respeitosa com que Clarice, literariamente, dispensou a companhia que se oferecia tão galantemente.

A vida é feita de galanteios, claro. Hoje em dia, até penso que acabou a cerimônia. Acabou a corte, a troca de olhares, a paquera incendiária. Acabou o romance? Tomara que não! Agora, no estado civil de viúva, estou sendo cortejada e vejo a diferença. O cara liga e convida para sair, assim, na bucha.

É que, numa certa altura da vida, as situações mudam drasticamente. Como se convida uma viúva para sair? Convidando, claro. Põe o cavalinho do Pânico. Telefonando para ela. Mandando um e-mail. O que um e-mail não faz hoje, gente? Já vem com a foto do pretendente, de zocre raiban e tudo. Coisa mais linda!

Maravilha de convite! “Marisa, vamos nos sentar naquelas mesinhas à beira-rio e ver as águas passando, olhar as estrelas, o infinito, o vento batendo em nós...” . Misericórdia! Clarice teria dito algo mais ao homem da fronteira, se ele se estendesse tanto.

Eu me encantei. E quase fui. Tentador, né? O rio Piracicaba é uma beleza e até se adapta perfeitamente a qualquer encontro idílico, cheio de poesia. Mas meu coração dá umas batidas a mais na arritmia de sempre e uma voz atávica, pra lá de esperta exclama: “eu, hein?”. E não fui. E não pretendo ir. Por ene razões que não vêm ao caso agora. E porque a vida me deu um amor tão grande, tão grande, e tão belo, que daria para viver só das saudades e das lembranças.

Se pretendo começar vida nova? Quem sabe. Só mesmo se aparecer a pessoa certa, que faça o coração disparar outra vez. Perguntam-me sempre se pretendo casar de novo. Deus do céu. Quando se é jovem, nos cobram um namorado. “Você não vai arranjar um, menina?”. E aí, a gente namora. Então, cobram o noivado. Você fica noiva. Em seguida, cobram o casamento. E você se casa. Aí, cobram o primeiro filho. Depois o segundo. A vida corre, o tempo passa, Fiori. Você fica viúva e cobram o segundo casamento.

Ficamos meio que à mercê destas cobranças. E não pode ser assim. A vida é preciosa demais para que se viva dando satisfações aos outros ou vivendo o que se espera, previsivelmente, que seja vivido. Se a gente quiser dar uma guinada diferente, tudo certo. A guinada é ficar quieta no meu canto, bem entendido.

Enfim, queria partilhar com os leitores mais este lindo trecho da minha vida. Desta fase da corte, de novo. Para quem estava tão fora “do mercado” (perdão, foi irresistível), é algo estimulante. Da solidão que pensei fosse durar para sempre, mas que posso mandar embora assim que me der vontade. Vontade de aceitar algum destes lindos convites? Não. Ainda não.

Um “passeíto” pode resultar numa história incrível, ou num final desastroso, dependendo das circunstâncias. Minha mãe dizia que só se conhece bem uma pessoa, comendo um saco de sal ao lado dela. E há mais coisas do que esse mero sal entre o céu e a terra.

Creio que uma das coisas mais sublimes é olhar nos olhos de alguém e dizer: “eu te amo”. Mas que seja verdadeiro, que venha lá do fundo da alma. Alguns dizem “eu te amo”/ assim a esmo/ comendo salame, queijo, torresmo/ ou virando um copo de cerveja...

Um “passeíto”, Clarice? Você recusou, minha escritora predileta. E eu pretendo ir recusando também. Não é para imitar seu estilo, sua inteligência, seu zelo com a vida. É decisão pessoal. E depois, tenho um lema que sempre segui: o coração tem de bater mais forte. Senão, não vale a pena.

Vida a dois é algo maravilhoso! Eu que o diga!...




Marisa Bueloni mora em Piracicaba, é formada em Pedagogia e Orientação Educacional – marisabueloni@ig.com.br





Postado por: James - www.espacojames.com.br em: 26/02/11 às 22:06:39 h.


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