Por linhas tortas
 
 
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Marisa Bueloni
Exponho neste espaço uma coletãnea de Artigos e Reflexões sobre diversos temas religiosos que nos dias de hoje se fazem presente, com o objetivo de Levar a palavra de Deus aos irmãos e testemunhar o amor que sentimos por Jesus, Maria e Nossa querida e Santa Igreja Católica.




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Postado em: 11/11/10 às 22:56:30 por: James
Categoria: Marisa Bueloni
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(Marisa Bueloni)


No silêncio da noite, faço uma pausa interior para ouvir o concerto-solo de um grilo solitário. E o cricri contínuo deste noturno reporta-me à poesia de todos os momentos – a vida impregnada de poesia e de sonhos. Pode parecer poético demais, porém não é. Certas noites têm a dureza de um paralelepípedo.

      Então, nas noites vastas, vai a caneta compondo o seu canto nas páginas do caderno cúmplice.  Todo poeta cultiva, secretamente, um caderno assim. É incontável a poesia ali depositada, à maneira dos poetas crônicos. Mesmo na era do computador, poeta que se preze tem um caderno escondido a sete chaves. Ou debaixo do travesseiro. E ai de quem pegar o dito sem permissão do autor.
 
      O poeta precisa ter algo à mão, de fácil acesso, quando, na madrugada, sente que o Estro bate à cabeceira da cama. Nossa! Que baita susto acordar com o vozeirão dele, a gente se revirando na cama, ouvindo galos, tentando conciliar o sono. Mas, depois do estrondo do vate das noites, o jeito é pegar o caderno. E tome poesia. Se vai prestar, não se sabe. Só de manhã, quando o dia raiar.
 
     Já escrevi até dentro da igreja. Foi numa tarde, dessas em que o coração se sente pequenino, fraco, necessitando de refúgio e amparo. Bateu-me a nítida sensação de que o ato de viver é pura impossibilidade. Fui buscar aconchego nos braços misericordiosos do Pai. E encontrei.
 
     Havia bloco e caneta na minha bolsa. Comecei a escrever com o bloco apoiado no colo, sentada no último banco da igreja. Silêncio completo, a penumbra, e o olhar santo das imagens. São Francisco,  lá na frente, tão humilde, mal podia olhar para ele.  Depositei, naquele momento, minha oferta literária. E rezei: “Aceita, Senhor, a minha oferta”.
 
     Eram versos sofridos, poesia cortante, linhas sem rima e sem métrica, sem estilo nem forma, sem doçura e sem mensagem, de uma tristeza profunda. Sabe Deus o que seriam e se receberia a minha pobre oferta. Mas, Ele estava lá e  não ousei desafiá-Lo em minha perplexidade. Em momento algum tentei ser autora de alguma coisa. Eu estava diante do Autor.
 
     Para Deus tudo tem solução, ainda que a oculta essência do nosso sofrimento seja expressa em forma de vaga poesia. Se Deus é o Poeta Maior, se é Ele o criador eterno, como não haveria de saber interpretar a natureza dos meus versos e sua confusa profundidade?
 
     Esperei, sentada no fundo da igreja, que um Anjo do Senhor viesse buscar o meu poema e o entregasse, pessoalmente, ao Pai. Um mediador celeste, as asas levíssimas, viria me salvar e, quem sabe, lá nos jardins do Céu, o Pai aguardasse meu  poema... Sim, o Anjo viria. Eu esperei.
 
      Eu esperei por mais de uma hora. O Anjo não apareceu. Tampouco desejei que isto acabasse por acontecer. Mas guardava,  no fundo da minha alma, a íntima certeza de que Deus lera com atenção as linhas sem nexo de um poema esdrúxulo. Não pedi que entendesse mais  nada ou as razões que nos levam a buscá-Lo,  quando o espírito fraqueja  na pequenez humana.
 
      Como o Anjo não viesse mesmo, guardei o bloco na bolsa e dirigi-me à porta de saída. Encontrei a garrafa de água benta e não resisti. Toda a bênção do mundo estava ali. “Aceita, Senhor, a minha oferta”. Lá fora, a luminosidade da tarde. Um ar fresco secou cada resto do que fosse pranto em minha face.
 
     Descendo as escadarias da igreja, pensei nas coisas que se renovam todos os dias, como renovado estava o meu espírito, apesar de tudo. Pensei na mudança das estações, nas folhas que amarelam e caem, na floração e nos frutos. Assim é nossa vida, floração que pulsa biologicamente neste poema respiratório que é o ato de viver.
 
     Chegando em casa, quis revisar o texto escrito na igreja. Oh, céus!... Sintaxe, não havia. Tudo era um grande e mero anacoluto. Pois fiz as correções devidas; se não me acerto com elas, não me acerto com Deus. É uma lei pessoal.
 
     Ele, sim, escreve certo por linhas tortas!...




Marisa Bueloni mora em Piracicaba, é formada em Pedagogia e Orientação Educacional-marisabueloni@ig.com.br





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