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Artigo N.º 12710 - O Purgatório nas Sagradas Escrituras - Porque o Purgatório existe?
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Postado em: 16/10/14 às 20:10:31 por: James
Categoria: Saiba Mais
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Espacojames: Leia com atenção as passagens bíblicas abaixo para que não haja dúvida sobre a existência do purgatório.

01) "Todo o que tiver falado contra o Filho do homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste mundo, nem no mundo vindouro." (Mt 12,32).

O pecado contra o Espírito Santo, ou seja a pessoa que recusa de todas as maneiras os caminhos da salvação, não será perdoado nem neste mundo, nem no mundo futuro. Acena o Senhor Jesus neste trecho implicitamente, que há pecados que serão perdoados no mundo futuro, i.é, após a morte. Ver também Mc 3,29.

 

02) "Mas, se o tal administrador imaginar consigo: 'Meu senhor tardará a vir'. E começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar (...) e o mandará ao destino dos infiéis. O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes. Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, mais se há de exigir." (Lc 12,45-48).

Nesta parábola, o administrador é o ministro da Igreja (quatro versículos acima Pedro pergunta ao mestre: "Senhor é para nós que estás contando esta parábola?", ao que Jesus responde: "Qual é então Pedro, o administrador fiel que o Senhor constituirá sobre todo o seu pessoal?"). Pois bem, o ministro de Deus que for infiel, receberá a visita do seu Senhor "no dia em que não o esperar" (dia de sua morte). E o Senhor o "mandará ao destino dos infiéis" (Inferno). Porém a parábola acena que haverá outros tipos de administradores, e outros tipos de destino. Aquele que conhece a vontade de Deus mas não se preparou como convinha para a sua volta, será açoitado "com numerosos golpes". Aquele que ignora a vontade de seu Senhor e fizer coisas repreensíveis, será açoitado com "poucos golpes". Portanto após a morte dos administradores da casa de Deus, uns serão condenados ao inferno, outros serão punidos, uns mais, outros menos, conforme o merecimento de cada um, mas não compartilharão o "destino dos infiéis". Após a morte, portanto, haverá de haver algum lugar ou "estado" onde os administradores pouco fiéis haverão de ser purificados.


03) "Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele não te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo." (Lc 12,58-59).

Nesta parábola, o Senhor Jesus ensina que, enquanto estivermos nesta vida, devemos ter sempre uma atitude de reconciliação com os nossos irmãos de caminhada. Devemos sempre entrar "em acordo" com o próximo, pois caso contrário, ao fim da vida seremos entregues ao juiz (Deus), que por sua vez nos entregará ao executor (seu anjo) e este nos colocará na prisão (purgatório); dali não sairemos até termos pago à justiça divina toda nossa dívida, "até o último centavo". Mas um dia haveremos de sair. A condenação neste caso não é eterna. Ver também Mt 5,21-26 e 18,23-35.


04) "Eu porém vos digo: todo aquele que se encolerizar contra o seu irmão terá de responder no tribunal. Aquele que chamar a seu irmão: 'cretino', estará sujeito ao julgamento do Sinédrio. Aquele que lhe chamar: 'louco', terá de responder na geena de fogo (...) Assume logo uma atitude reconciliadora com o teu adversário, enquanto estás a caminho, para não acontecer que o adversário te entregue ao juiz e o juiz ao oficial de justiça e, assim, sejas lançado na prisão. Em verdade te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo" (Mt 5,22.25-26).

Jesus nos ensina que a ira contra nossos irmãos e as ofensas que a eles fizermos, merecem toda a reprovação por parte do Pai celeste. Ao chamarmos nosso irmão de "louco" teremos de responder na geena de fogo. O fogo sempre foi, em todos os tempos, e também na Bíblia um símbolo de purificação. Evidente que ninguém é condenado ao inferno para todo o sempre, somente porque chamou o seu próximo de "louco" (senão todos estaríamos condenados). A chave deste ensinamento se encontra na conclusão deste discurso de Jesus: serás lançado na prisão (nesta "geena de fogo"), e dali não se sai "enquanto não pagar o último centavo".

05) 
"Quanto ao fundamento, ninguém, pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstra-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo" (1Cor 3,10-15).

Paulo fala dos pregadores do Evangelho, que haveriam de edificar a Igreja sobre os alicerces lançados por ele durante suas viagens missionárias. Uns edificariam com muito zêlo (com ouro, prata e pedras preciosas), outros seriam porém, pouco zelosos (edificando com madeira), outros seriam negligentes (edificando a Igreja com feno ou palha). De qualquer forma o "dia do Julgamento" demonstraria o que "vale o trabalho de cada um". Se a construção resistir, isto é se o ministro edificou com amor, "o construtor receberá a recompensa". Se o ministro foi pouco zeloso pela Igreja, "arcará com os danos". Porém ele será salvo apesar de tudo. Como? Sendo purificado, ou seja, "passando de alguma maneira através do fogo", isto é, após o dia do julgamento particular, alguns ministros de Deus deverão ser purificados devido ao pouco zêlo para com as coisas da Igreja de Deus.

 

06) "Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados (...) padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos na prisão, aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes (...) Por isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito." (1Ped 3,18-19; 4,6).

Esta "prisão" ou "limbo dos antepassados", onde os espíritos dos antigos estavam presos, e onde Jesus Cristo foi pregar durante o Sábado Santo, é figura do purgatório. Com efeito, o texto menciona que Cristo foi pregar "àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes". Temos, portanto, um lugar onde as almas dos antepassados aguardavam a salvação. Não é um lugar de tormento eterno, portanto não é o inferno. Não é um lugar de alegria eterna na presença de Deus, portanto ainda não é o céu. Mas é um lugar onde os espíritos aguardavam a salvação. Salvação e purificação comunicada pelo próprio Cristo. Por isto, declara o apóstolo, foi o "Evangelho pregado também aos mortos(...) para que vivam segundo Deus quanto ao espírito".

 

07) "Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados [dos soldados mortos em batalha]: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas" (2Mac 12,43-46).

O general Judas Macabeu (160 aC), herói do povo judeu, faz uma grande coleta e a envia para Jerusalém, para que os sacerdotes ofereçam um sacrifício de expiação pelos pecados de alguns soldados mortos. Fica claro no texto que os judeus oravam pelos seus mortos e por eles ofereciam sacrifícios. Fica claro também que os sacerdotes hebreus já naquele tempo aceitavam e ofereciam sacrifícios em expiação dos pecados dos falecidos e que esta prática estava apoiada sobre a crença na ressurreição dos mortos. Subentende este texto que as almas dos soldados mortos estavam em algum local ou "estado" de purificação, pois se estivessem nos céus, as oração dos vivos eram desnecessárias, e se, por outro lado estivessem no inferno, toda oração seria inútil. E como o livro dos Macabeus pertence ao cânon dos livros inspirados, aqui também está uma base bíblica para a oração em favor dos falecidos.

 

8) "De outra maneira, que intentam aqueles que se batizam em favor dos mortos? Se os mortos realmente não ressuscitam, por que se batizam por eles?" (1Cor 15,29).

Paulo cita aqui, uma prática cuja índole na verdade desconhecemos. Segundo alguns estudiosos, os primeiros cristãos preocupados com a sorte eterna de seus pais ou avós que não haviam conhecido o Evangelho e, consequentemente, não puderam ser batizados, praticavam algum rito ou oração para que seus parentes ganhassem de alguma forma a salvação, "batizando-se" no lugar deles. O apóstolo Paulo não condena este "batismo" pelos falecidos, antes, lança mão justamente dele como argumento precioso da fé dos cristãos na ressurreição geral dos mortos. De fato, esta prática demonstra a preocupação dos primeiros cristãos com relação à salvação de seus pais, antepassados e amigos, traduzida em algum rito ou oração pelos mortos, por nós hoje desconhecida.

A oração pelos mortos aliás, era uma prática constante entre os primeiros cristãos, como atestam ainda hoje inscrições em numerosos túmulos e arcas funerárias cristãs daqueles primeiros tempos, bem como em textos dos primórdios que chegaram até nós. Eis alguns exemplos:

"Oferecei também a régia Eucaristia (...) oferecei-a orando pelos mortos" (Didascalía dos Apóstolos [meados do séc. III]).

"Caso (na Eucaristia) se faça a memória em favor daqueles que faleceram..." (Cânones de Hipólito [séc. III]).

"Por todos os defuntos dos quais fazemos comemoração, assim oramos: Santifica estas almas ..." (Serapião de Tmuis [meados do séc. IV]).

"Oremos pelo repouso de ... a fim de que Deus bom, recebendo a sua alma, lhe perdoe todas as suas faltas" (Constituições Apostólicas [séc. IV]).

"Os apóstolos instituíram a oração pelos mortos..." (S. João Crisóstomo [+407], In Philipp. III, 4).

"Desta afirmação (Mt 12,31), podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras no século futuro" (S. Gregório Magno [séc. V], Dial. 4,39).

"O irmão que as compreender, queira orar por Abércio" (inscrição funerária cristã [séc. II]).

"Este túmulo, Iperéquio preparou-o para a sua benemérita esposa Albínula. Deus alivie o teu espírito" (inscrição funerária cristã [ano 268]).

"Jejuai todos por mim, a fim de que Deus seja misericordioso para com minha alma" (inscrição funerária cristã [séc. IV]). etc... etc...

Conclusão: o cristão, que não ora pelos seus mortos, comete pecado contra a caridade que devemos ter para com os nossos irmãos falecidos, conforme o ensino bíblico: "Dá de boa vontade a todos os vivos, e não recuses este benefício a um morto" (Eclo 7,37).

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POR QUE O PURGATÓRIO EXISTE?

Para entendermos melhor sobre o que é o purgatório e o porquê dele, precisamos fazer uma breve explicação sobre o pecado e suas conseqüências na nossa alma.

O pecado pode ser resumido como uma ofensa a Deus e ao Seu amor, um ato que rompe com a ordem estabelecida por Ele.

É preciso compreender que o pecado gera uma dupla conseqüência para o homem: a pena eterna (culpa) e a pena temporal (pena). A pena temporal nada mais é que a desordem causada em decorrência à culpa. Por exemplo: quem rouba um relógio ou produz um dano pecuniário a alguém, pode pedir e receber o perdão do respectivo proprietário, mas este exigirá que a ordem anterior seja restaurada ou que o relógio volte ao seu dono. Do mesmo modo, quem difama caluniosamente o seu próximo, pode pedir e receber o perdão deste, mas fica obrigado a restaurar a honra da pessoa ofendida.

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Nota Espacojames: Quando um ladrão rouba um objeto, ele gera a CULPA  e a PENA. Mesmo que o ladrão devolva o produto roubado e receba o perdão do proprietário (culpa), ele será julgado e preso por roubo (Pena)!

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A pena eterna caracteriza-se pela privação da comunhão com Deus, que ocorre com a prática do pecado grave ou mortal (também o pecado venial acarretando um “apego prejudicial às criaturas”, produz a pena temporal que necessita ser expiada). A pena eterna (culpa) é remida através do Sacramento da Confissão ou Penitência.

A pena temporal caracteriza-se pela violação da ordem natural estabelecida pelo Criador (as conseqüências do pecado cometido, que devem ser reparadas). Diz S. Tomás de Aquino: “Sendo o pecado um ato desordenado, é evidente que todo o que peca, age contra alguma ordem. E é, portanto decorrência da própria ordem que seja humilhado. E essa humilhação é a pena” (S. Th. 1-2,q87, a.1; DI, ref.3 apud Aquino Felipe. In: O Purgatório: o que a Igreja ensina, p.44).

Resumindo, se me arrependo e confesso meus pecados diante do sacerdote, a culpa é apagada e sobram, portanto, as penas temporais. Estas deverão  ser expiadas através de penitências, mortificações, obras de caridade, indulgências, aceitação do sofrimento e da vontade de Deus.  Isso tudo pode ser feito em vida, porém, se não expiarmos todas as penas temporais, deveremos passar por uma purificação antes de ir à glória de Deus e contemplar a Sua face. A palavra de Deus é muito clara, em Apocalipse 21, 27, em que diz que nada de impuro entrará no Reino dos Céus.

 

Para entendermos melhor essa analogia, existe um exemplo muito simples que nos faz entender melhor a respeito disso. Comparemos nossa alma à uma tábua de madeira, linda, sem nenhum risco, brilhante. Ela ficou assim após o sacramento do batismo, em que cancelou o pecado original. Imaginemos agora que ao passar dos anos cometo alguns pecados; estes seriam como fossem pregos martelados nessa tabua. Após a confissão sacramental, com verdadeiro arrependimento, meus pecados são perdoados (não existe mais culpa). Retira-se, portanto, os pregos da madeira. Como veríamos, então, essa tábua? Certamente cheia de furos, imperfeito, já não mais bela como Deus a tinha deixado antes. Esses furos (“cicatrizes”) são as penas temporais, e não poderemos ir imediatamente ao Céu se não repararmos esses buracos na nossa alma.

O Purgatório é isto! É uma queimadura de amor. É um atraso imposto pelas nossas impurezas, um atraso antes do abraço de Deus, uma queimadura de que faz sofrer terrivelmente, uma nostalgia de amor.  É precisamente esta nostalgia que nos lava do que é ainda impuro em nós. O Purgatório é um lugar de desejo, do desejo louco de Deus, do Deus que já conhecemos, porque já O vimos, mas ao qual não estamos ainda unidos.

 

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ORAÇÃO DE SANTA GERTRUDES: Oração capaz de  tirar 1.000 almas do purgatório (Leia + em no: Artigo N.º 2889 - Você quer tirar 1000 almas do purgatório? Quer saber como? - Oração Santa Gertrudes )

 

Oração de santo Agostinho pelas almas do purgatório

Dulcíssimo Jesus meu, que para redimir ao mundo quisestes nascer, ser circuncidado, desprezado pelos judeus, entregado com o beijo de Judas, atado com cordas, levado ao suplício, como inocente cordeiro; apresentado ante Anás, Caifás, Pilatos e Herodes; cuspido e acusado com falsos testemunhos; esbofeteado, carregado de opróbrios, despedaçado com açoites, coroado de espinhos, golpeado com a cana, coberto o rosto com uma púrpura por zombaria; desnudado afrontosamente, cravado na cruz e levantado nela, posto entre ladrões, como um deles, dando-vos a beber fel e vinagre e ferido o Coração com a lança. Livrai, Senhor, por tantas e tantas acerbadíssimas dores que haveis padecido por nós, as almas do purgatório das penas em que estão; levando-as a descansar na vossa Santíssima Glória, e salvai-nos, pelos méritos de vossa Sagrada Paixão e por vossa morte de cruz, das penas do inferno para que sejamos dignos de entrar na posse daquele Reino, onde levastes ao bom ladrão, que foi crucificado convosco. Vós que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.






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