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Artigo N.º 7516 - Esperança
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Postado em: 24/03/11 às 00:00:22 por: James
Categoria: Marisa Bueloni
Link: http://www.espacojames.com.br/?cat=123&id=7516
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(Marisa Bueloni)


Era uma vez a vida. Linda, linda. Feita de beleza e força. De afeto e de ternura. Mas também de sofrimento, lágrimas e dores. Como a vida costuma ser. Contudo, em meio aos amores impossíveis, às despedidas para sempre, às limitações contra as quais lutamos, ao desalento e à desolação, vemos algo que não teria nome, se não trouxéssemos tal riqueza dentro do coração.

O que seria de todos nós, sem a esperança? Eu já vou avisando. Seria a primeira a desistir. A pular do barco. A jogar a toalha. A desanimar. No entanto, por causa dela, estamos aqui. Eu venho cansada pelo caminho. Sou a última, do último pelotão. Rota e trôpega. Mas venho, meu anjo. E até onde for possível, eu estou lá!

A esperança acende o sonho em nosso peito. E não existe nada mais belo que sonhar. Fala sério. Lua cheia, céu estrelado, o vento noturno sussurrando nos ouvidos de uma princesa. Ela pega o caderno guardado a sete chaves e começa a escrever. Eu a imagino na torre, perdida de amor.

O luar que tinge a alta muralha tem algo de mais profundo a lhe dizer. Mas ela se recusa a escutar. Não aguenta ouvir seu próprio coração. Nele há uma sentença da qual ela quer fugir. Por medo. Por recato. Por respeito. A coragem lhe acena, de longe. Esta princesa tem princípios. E é o seu jeito de se comportar diante da vida.

Ah, que princesa prudente. Seu castelo é sua alma, sua mais fina agonia. Seu reino, um cantinho memorável construído dentro de si, nas mais árduas e dignas batalhas. Ela mesma se pergunta se haverá salvação. Se houve entendimento, alguma vez.

Princesa da história errada, eu torço por você! Pela sua dignidade, pela integridade dos seus sentimentos, pela altivez da sua decisão. Pode contar comigo. Estou lendo sua saga heroica e sei que ainda vou me comover muito mais.

Mas agora quero mudar de assunto. Era uma vez a doçura.

Ah, que doçura, o tempo em que os homens faziam uma reverência às senhoras, erguendo levemente o chapéu. Não faz tanto tempo assim, faz? Eu vi isso tudo. Houve um tempo – para quem não sabe – em que alguém roubava uma rosa de um jardim. Entardecia. As moças e moços com seus uniformes indo para o curso noturno. As meninas usavam meias soquetes brancas e sapatos pretos. Saias pregueadas, abaixo do joelho. As do curso de contabilidade eram da cor marrom.

A escola de comércio ficava bem no centro, ao lado de um cinema, o Politeama. Quem podia resistir ao cartaz de Burt Lancaster e aquele olhar de paixão eterna? Doris Day e Rock Hudson? Minha irmã contava que mais matavam aula que estudavam... Como é que se formavam e entendiam de contabilidade, ninguém nunca soube explicar.

Deus Pai misericordioso, onde estão estas maravilhas todas? Onde estão os prodígios que sentíamos lá no fundo da alma, quase impossíveis de tocar? Será mesmo, como diz um amigo querido e irmão de armas, que o tempo é esse “roedor silencioso de todas as coisas”?

Houve um tempo em que a lua surgia no céu!... Ah, os loucos da aldeia. As figuras que povoaram a nossa infância gentil. Eu era menina e um homem muito estranho morava perto da minha casa. Eu morria de medo. Minha mãe dizia: “Não olhe para ele”. O tempo leva embora tudo isso, os assobios, os homens de chapéu, as rosas nos jardins, os uniformes, e até mesmo a lua cheia. Os novos loucos não encantam mais... Cadê eles? Cadê o homem do saco nas costas que vinha pegar as crianças?

As lembranças da infância dão lugar às saudades da juventude, quando pulávamos as quatro noites de Carnaval e nem sentíamos. O corpo era uma glória feita da mais imortal carne, a vida nunca acabaria, o futuro estava ali mesmo, bem pertinho, e nós ríamos a bandeiras despregadas, embriagados de sonho, esperança e felicidade.

Era uma vez, havia toda a beleza à nossa volta. Hoje, no presente, ela é feita de passado. Falo de uma beleza atemporal, romântica e ascética. Algo semelhante à noite passada em claro, nas profundezas da dor existencial. A dureza de pedra no peito, as referências do desconhecido, e uma fome eterna. A limpidez dos sentidos.

Eu vi uma beleza destas. Você vai argumentar que isso nada tem de belo. Pode ser. Mas é destas trevas densas e superiores que nasce o esplendor. Primeiro, a noite escura da alma, a passagem secreta, a madrugada sem fim. Depois, a volta à normalidade, à rotina de comer, tomar banho, dormir, pensar, sentir, amar. Esta beleza que não tem preço.

A beleza da cura. A beleza de sarar, esperando que o corpo corresponda. Acho lindo quem, no auge da esperança, espera. Creem que existem outras oportunidades, escondidas atrás da porta, debaixo da cama, no fundo do armário, dentro do carro. Enquanto dirigem, esperam. Sabem tudo da esperança - matéria prima e alma gêmea do sonho.

Eu também – confesso – espero. E sofro as “demoras de Deus”. Mas digo sempre cá com meus pobres botões: Ele é quem sabe. Eu não sei nada e não ouso dizer um milímetro a mais. E como é bom esperar, meu Deus! Não existe nada mais belo e revelador. Que cais maravilhoso é este em que nos postamos, à espera...



Marisa Bueloni mora em Piracicaba, é formada em Pedagogia e Orientação Educacional – marisabueloni@ig.com.br





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