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Artigo N.º 4276 - Processo de Jesus - 1 Parte ( Processo Religioso )
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Postado em: 11/02/10 às 12:29:06 por: James
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APROVAÇÃO ECLESIÁSTICA
Autor: Padre Carlos Regattieri - Publicado em: 02 de junho de 1921

Approvação
Tendo mandado examinar o presente opusculo "O processo de Jesus", e nada encontrando nelle contra a Fé e moral christãs, havemos por bem approval-o, e dar licença para que se possa imprimir, como aqui o fazemos.
Botucatú, 2 de Junho de 1921.
Lucio, Bispo de Botucatú.

A Captura


Hoec est hora vestra et potestas tenebrarum. - Lucas - XXII, 53
O Era uma noite de quinta-feira do 14 de Nisan, ou de 06 de abril de 783 da fundação de Roma (1). Quem, nessa noite, se tivesse achado na cidade de Jerusalem e precisamente nas adjacendias do Palacio do Governador romano e dos Summos Pontificies, teria, sem duvida, notado um movimento, uma agitação que contrastava altamente com a calma habitual que, a essas horas avançadas, costumava desfructar o bairro mais aristrocratico da cidade dos Prophetas.

Grupos de individuos armados de espadas e páus (2) iam e vinham em attitude impaciente, provocadora, resoluta. De subito, uma companhia de soldados, sob as ordens de um Tribuno, á qual se juntaram servos e subalternos dos grandes sacerdotes e phariseus, tambem armados, sahiu do Pretorio, tomando, apressadamente, a direcção noroéste.

A lua (3) que nesse momento brilhava num céo recamado de estrellas, e envolvia, num nimbo de prata, a antiga capital da Palestina, batia em cheio, como uma lamina de aço, sobre o aspecto sinistro de um homem que, açulado pelo demonio da cubiça, parecia ser, si não o chefe, certamente o guia daquella turba eivada de odio e sedenta de sangue. Era Judas de Keriot, o qual, seguido pelas praças e pela famulagem subornada, atravessando de leste a oeste a cidade alta, e tomando, depois, o rumo norte, passou o Cedron e parou um instante ao sopé do Monte das Oliveiras, a poucos passos dos muros que cercam o Gethsemani.

Entrou. Não lobrigando alma viva, dirigiu os passos para o lado norte onde uma especie de corredor descoberto, cavado, pela natureza, na pedra, dava acesso a uma gruta de 17 metros de comprimento, 9 de largura e 3,50 de altura (4).

O personagem que se procurava e que nesse instante, com a alma crivada de angustias, se mantinha prostrado num canto, ergueu-se ao rumor dos passos em tropel, e esperou, resignado, a sorte que o odio recalcado dos seus inimigos lhe havia preparado.

Estava para ter inicio o desenrolamento de scenas de horror, previstas, com admiravel clareza, oito seculos antes, pelo Propheta Isaias, scenas que deveriam ter, como remate, a mais clamorosa infamia que registra a historia da humanidade.

Á vista dessa matula armada e guiada por um scelerado que, até bem poucos momentos, honrára com a sua amizade, Jesus (porque era Elle) sentiu-se profundamente ferido e disse:

_ Viestes capturar-me como si eu fora um ladrão; entretanto, todos os dias eu estava comvosco no Templo e nunca me prendestes. (5) Mas, já que procuraes a mim só, deixae em paz estes meus amigos. (6)
Referia-se aos discipulos que levára comsigo.

Poucos momentos depois, Jesus era amarrado e, no meio de uma algazarra infernal, levado ao Palacio de Annaz.

Qual fôra o motivo da captura de Jesus? Apparentemente algum crime religioso ou político de que os seus inmigos queriam tornal-o responsavel. Na realidade, porém, no fundo de todo esse zelo hypocrita em defesa da Religião ou do Estado, apparecia claro e insophismavel um sentimento de odio, filho do ciume incontido pela popularidade que alcançára Christo na Palestina.

A majestade de seu porte, a graça ineffavel que transluzia do seu rosto, a ternura incomparavel do seu coração, o seu desvelo desinteressado em pról dos infelizes, a boa nova que annunciava e que vinha abrir, á sociedade, descortinos vastos e desconhecidos, a guerra sem quartel que, com um desassombro mumca visto, movia á ambição e hypocrisia dos potentados, esta e um sem numero de outras bellezas moraes de que andava exornado e que não se pódem traduzir em linguagem humana, arrastavam, após si, as multidões que, em momentos de irreprimivel entusiasmo, o acclamavam, delirantemente, Propheta e Rei!

Accresce que, ultimamente, um grande acontecimento acabava de abalar todos os espíritos. Achando-se, seis dias antes (8 de Nisan), Jesus, na cidade de Bethania, e tendo ahi, morrido o seu amigo Lazaro, ressuscitára-o com um prodigio. O facto extraordinario echoara, com a rapidez do raio, de um canto a outro da Palestina, e cercára Jesus de uma aureola tão luminosa que, quando, dois dias depois, entrou em Jerusalém, fôra alvo da mais estrondosa e imponente manifestação popular.

Este delirio suscitado por Jesus, vinha encrustar outra camada de odio no coração dos seus inimigos que, em precipitado concluio, juraram perdel-o: _ Que havemos de fazer? perguntavam uns aos outros, este homem faz muitos prodigios, si o deixarmos continuar, todos crerão nelle: "Quid facimus? Quia hic homo multa signa facit? Si dimittimus eum sic, omnes credent in eum" (7).

E a prisão de Jesus, effectuada na noite do 14 de Nisan, não era outra cousa sinão a consequencia do trama urdido no diabolico comicio.

Eil-o, pois á presença de Annaz (8) amarrado como um malfeitor.

Não se comprehende e não se justifica a razão pela qual a esbirralha quis arrastar Jesus á presença de Annaz que não cobria, havia muito tempo, nenhum cargo publico. Talvez, como opina Cornelio a Lapide, tomassem essa resolução por méra deferencia a seu genroCaiphás, Grande Sacerdote naquelle anno. Seja como fôr, o que não padece duvida, é que Annaz fôra a alma de toda a conjura movida, secretamente, contra Jesus. De engenho vivo, astucia pouco commum, ambicioso em extremo, alcançára de Sulpicio Quirino, Governador da Syria e da Judéia, o título de Grande Sacerdote, cuja funcção permanecera quasi dez annos.
No dia da prisão de Je
sus, havia mais de três lustros que não ocupava esse supremo cargo.

Á sua influencia, porém, e especialmente, ao seu genio intrigante e ao ouro que sabia profusamente espalhar em occasião opportuna, deve-se a nomeação, feita por Valerio Grato, do seu genro José Caiphás o Grande Sacerdote. (9)

Estando, pois, Jesus, perante Annaz, este, embora não lhe assistisse o direito, entendeu submettel-o a um interrogatorio preliminar, enquanto no Palacio de Caiphás se estavam tomando, ás pressas, as providencias para um interrogatorio mais completo e um julgamento mais formal.

 

 

(1) O 14 de Nisan correspondia, nesse anno, segundo Didon, aos 06 de abril; segundo Bacuez e Vigouroux, aos 2. Vejam Didon - Jesus Christo - App. A., pag. 902, e Bacuez e Vigouroux - Manuel Biblique - Trois. Partie, Cap. 1.

(2) "Cum gladiis et fustibus", Math. XXVI, 42; Luc. XVII, 52; "Cum gladiis et lignis", Marc. XIV, 48.

(3) No dia seguinte, 15 de Nisan, era o plenilunio.

(4) Vigouroux - Le Nouveau Testament et les Decouverts Archeologiques - Livro II, 6, V.

(05) e (06) - Math. XXVI, 55 e Joann. XVIII, 8.

(07) Joann, XI, 47-48

(08) Os Evangelistas Matheus, Marcos e Lucas não alludem ao facto de ter sido, Jesus, levado á presença de Annaz.

(09) Caiphás não foi o sucessor immediato de Annaz, visto como a este succedeu logo Ismael, filho de Phabi, a este Eleazar, filho de Annaz, e a Eleazar, Sinão, filho de Camith. Cada um se manteve no cargo um anno, até que em 770 ou 771 da fundação de Roma, ou seja, no ano 16 ou 17 depois de Christo, Simão foi succedido por José, conhecido por Caiphás, o qual se manteve em exercício até o ano 34 d. Chr., ou 35 ou 788-789 da fundação de Roma - Confr. Dictionnaire Encyclopedique de Theologie pour des Dotrs, Welzer e Welte, traduz. do allemão por J. T. Goschler, Terc. Edic. Vol. II; Cap. X. pag. n. 42.

 


 


Interrogatorio Preliminar

Começou a interrogal-o sobre seus discipulos e sua doutrina.

Jesus nada tinha que responder a quem, sem se achar investido do Supremo Sacerdocio, pretendia devassar-lhe a vida. Entretanto, por nimia condescendencia, entendeu responder-lhe dizendo:

_ Eu sempre falei em publico e sem mysterio. A minha doutrina foi prégada na Synagoga e no Templo para onde vão todos os judeus, e nunca préguei ás escondidas. Porque, pois, me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que eu ensinei, estes devem saber o que eu disse. (1)

O Evangelista S. João, de cujo Evangelho extrahimos esta passagem, não nos diz qual o effeito destas palavras sobre o espirito de Annaz. A situação do astuto e Grande Sacerdote, porém, havia de ser bastante critica. Jesus appelava, não para o testemunho dos seus discipulos que o acompanharam por toda a parte, pois teriam sido suspeitos e não se lhes teria acreditado, mas para o testemunho dos seus proprios inimigos perante os quaes tantas vezes prégara no Templo e na Synagoga. Qual testemunho mais insuspeito desde que houvesse empenho em se querer descobrir a verdade?

A lição, que o improvisado Juiz não pedira ea que não estava preparado, mas que acabara de receber, havia de tornal-o bem pequenino e ridiculo aos olhos dos circumstantes. Então um servo bajulador, provavelmente no intuito de livral-o de uma situação tão humilhante, descarregou uma tremenda bofetada no rosto de Jesus dizendo:

_ Desta maneira é que respondes ao Pontificie?
A este acto de inqualificavel vilania, limitou-se, mansamente, a dizer:
_ Si falei mal, dá testemunho desse mal, mas, si falei bem, porque me maltratas?

Nada mais acrescenta, o Evangelista, a respeito desta scena selvagem, a não ser que Jesus, por ordem de Annaz, foi logo conduzido ao Palacio de Caiphás, para ser novamente interrogado e julgado pelo Synhedrio.

 

 

(1) João. XVIII, 20-21.

 

 


O Synhedrio 

Podiam ser duas horas da madrugada de sexta-feira,quando Jesus foi levado á presença de Caiphás. Numa das salas do Palacio do Grande Sacerdote acabavam de improvisar uma especie de tribunal, no qual, pela rapidez dos acontecimentos, não poderam tomar parte sinão poucos membros do Synhedrio.

O Synhedrio era, entre os judeus, uma especie de Supremo Tribunal onde eram examinados e julgados os crimes de heresia, apostasia, idolatria, falso propheta, etc.

Era composto de 71 membros divididos em 3 Camaras: A Camara dos Grandes Sacerdotes, a dos Anciãos e a dos Escribas ou Doutores da Lei.


(*) Não há notas de rodapé 

 


 

Da Camara dos Grandes Sacerdotes
que Tomaram Parte no Processo de Jesus
Caiphás - Presidente do Supremo Tribunal.
Annaz - Sogro de Caiphás.
 

 

Filhos de Annaz  
 
Eleazar
Jonathas
Theophilo
Mathias
Ananus
Gceva 

 

Da família de Simão Boéthos 


Joazar
Eleazar
Simão Kanthéro 

 

Que mais tarde fizeram parte do conselho que julgou Pedro e João presos no dia de Pentecostes.   
 
João e Alexandre

 

Da Camara dos Anciãos 

Capitalistas
 
Ben Kalba Scheboua e Ben Tistsit Hocassat   
  
Simão _ Doutor da Lei
Doras _ da família do Gov. romano Feliz
João
Dorotheo
Triphão
Cornelio e José D'Arimathéa - dos que nos falam os Evangelistas 
Da Camara dos Escribas
 
Gamaliel - filho de Hillel, mestre de Paulo, Barnabás e Estevão.
Simeão - Filho de Gamaliel.
Onkelos - autor da paraphrase do Pentateuco
Jonathas benm Huziel - autor da paraphrase sobre a Lei e os Prophetas
Samuel o Pequeno
Kananias ben Khiskhias
Ismael ben Beliza
Rabbi Zadok
Jokhanan ben Zakhai
Habba Saul
Heleazar ben Partha 
Ao todo 39 membros

Contavam-se 36 crimes contra os quaes era comminada a pena de morte. Para 17 havia a pena de morte pela lapidação, para 10 pela fogueira, para 2 pela espada, para 6 pelo estrangulamento.

Segundo Chauvin, de cuja obra extrahimos os nomes conhecidos dos Juizes que tomaram parte no processo de Jesus, o Synhedrio, quando completo, constaria de 72 membros, divididos em Tres Camaras de vinte e trews membros cada uma (e neste caso teriamos o Sinhedrio completo com 69 membros). Capecelatro (Errori del Renan nella visita di Gesú, Cap. XIX) dá tambem o numero 72. O mesmo numero dá Cornelio a Lapide, deva attribuir-se a um simples cochilo, e que o mesmo numero admittido por Chauvin e Capecelatro não seja conforme a verdade. De facto, o mesmo Cornelio a Lapide, no mesmissimo Commentaria in Mattheum, Cap. XXVII, nota ao 1º. versiculo, dá o Synhedrio completo com 70 membros, e outro tanto faz em outros logares (Comm. in Num. C. XI, nota an vers. 16 - Comm. in Deut. Cap. XVII, nota ao vers. 9).

De outra parte é sabido que Deus ordenou a Moysés de subir o Sinai com Aarão, Nadab e Abiu, filhos maiores de Aarão e mais setenta anciãos. Exod. XXIV, 1). Mais tarde Deus ordenou a Moysés de escolher setenta homens como seus auxiliares no governo do povo. (Num. XI, 16). Estes setenta não são aquelles que acompanharam Moysés á subida do Sinai a que allude o Exodo, mas parte daquelles e parte de outros escolhidos posteriormente entre o povo. Estes ultimos (os dos Números) foram os que formaram o Synhedrio em numero de setenta, numero que se conservou, em seguida, até aos tempos de Christo. Parece, porém, que o Presidente do Synhedrio não era dos 70, porque o officio dos 70 consistia em auxiliar o Supremo Pontifice.

"Manserunt, diz Cornelio a Lapide (Num. XI, nota ao vers. 16) hi septuaginta deinceps, et continuos habuere successores, etiam in Chanan, sed carentes spiritn prophetico. Nam solo consilio suo aderant Pontifici, qui summus Hebraeorum statuitur judex, erantque ejus consiliarii. Unde consilium horum (dos 70) cum Pontifice summum erat, et ab Hebraeis vocatum est Sanhedrim, graece Sunedrion.... Atque hi seniores fuerunt qui in magno illo suo Sunedrio, sive concilio, Christum mortis reum proclamarunt, et Pilato occidendum tradiderunt".

Sendo assim o Synhedrio teria sido um Tribunal composto de 71 membros inclusive o Presidente, ou o Summo Pontifice.

Esta opinião nos parece apreciavel. De facto si dos membros que compunham o magno Conselho, setenta careciam de espirito prophetico, e sabido como é que o dom da prophecia era privilegio exclusivo de quem se achava, revestido do Supremo Sacerdocio, e não sendo Summo Sacerdote nenhum dos setenta, é forçoso admittir alêm dos 70, mais um, que, occupando a Suprema Dignidade, fruisse desse dom divino. Este era o Summus Judex que, cercado pelos seus setenta auxiliares, formava o Supremo Tribunal ou Synhedrio.

Uma tal opinião é, aliás, corroborada por Felten (Historia dos tempos do Novo Testamento, Vol. II., Vers. ital. de L. E. Bongiovanni, Cap IX, pag. 27 e 28) e por J. Fouard (Vita di N. S. Gesu Christo, 2ª. Edic. Vers. ital. sobre a 18 franc. Vol. I. pag. 39 e Vol II, pag. 263). Segundo os quaes o Synhedrio completo constava de 71 membros. Estes tomavam assento em forma semecircular. A cada um dos dois extremos do semicirculo se assentava um secretario, encarregado, um, de tomar nota, durante o processo, de tudo que apparecia em favor do accusado, outro de tudo que depunha contra o mesmo. O accusado era cercado por guardas, ou officiaes subalternos munidos de cordas e tiras de couro, promptos, ao primeiro signal, a amarrar e a bater no réo.

Nas questões de direito civil ou cerimonial, a votação começada pelos mais notaveis anciãos; nas questões, porém, de direito criminal, onde se tratava de uma pena capital, a votação começava pelos mais moços, com receio de que estes se deixassem suggestionar pelos mais velhos. Nos crimes passíveis de pena de morte, tinham que tomar parte no Jurypelo menos 23 membros. Si pela votação resultasse a condemnação do réo por um só voto de maioria, então se acrescentavam mais dois membros, e não se alcançando, com isso, mais apreciavel maioria, continuava-se nesse processo até que o réo era absolvido ou condemnado por 36 votos contra 35.


(*) Não há Notas de Rodapé

 


Jesus na presença de Caiphas

Foi, pois Jesus levado á presença de Caiphás, precisamente na sala onde, ás pressas, se reuniram alguns membros do Synhedrio, para o julgamento. O plano do Synhedrio não consistia somente em eliminar Jesus, mas, entregando-o ao poder civil, em deshonral-o com uma sentença judiciaria.

Como dissemos, pelas duas horas da madrugada de sexta-feira, se formou o Conselho presidido por Caiphás. Até ahi o despeito, a inveja, o odio tinham sido os unicos factores que tinham entrado em campo para a captura de Jesus. E agora que o mais estava feito, agora que se achava em poder de seus inimigos, em presença dos seus juizes, tornava-se necessario definir-lhe a responsabilidade, assacando-lhe um crime que fosse passivel de pena capital. Outros elementos, pois, tinham que entrar em jogo, isto é, o sophisma, a mentira e a calumnia. Tudo isso, porém, sob uma tal qual apparencia de formalidades legaes. E como estas exigiam que o crime fosse, antes de tudo, comprovado pelo depoimento de testemunhas, deu-se começo aos trabalhos procedendo-se á inquirição das testemunhas.

(*) Não há notas de rodapé

  


Inquirição das Testemunhas

Submetteram-se, pois, ao interrogatorio algumas não só notoriamente falsas, como dizem S. Matheus e S. Marcos, (1) mas cujo depoimento era até contradictorio. (2)

Sobre um tal depoimento não era absolutamente possivel construir um crime; apresentaram-se, porém, duas que depuzeram:
_ Nós o ouvimos dizer: Posso destruir o Templo de Deus e reedifical-o em tres dias.

_ Que respondes a isto? - pergunta intimamente satisfeito, o Presidente do Conselho.

Jesus não respondeu. Sabia perfeitamente que o Synhedrio jurara a sua morte, e que,portanto, qualquer tentativa de defesa tornar-se-ia completamente inutil. Manteve-se, pois, num silencio calmo e ao mesmo tempo imponente. Os papeis pareciam trocados, observa a este proposito Le Camus, "o accusado conservava a magestade solemne de um Juiz, e o Juiz mostrava a agitação febril de um accusado". Era preciso sahir desta situação, romper esse silencio, mais expressivo e eloquente do que uma defesa. E visto como não lograria, pela ameaça ou pelo medo, arrancar uma unica palavra de Jesus, Caiphás recorreu a outro expediente:

_ Eu te peço, - então elle disse como que inspirado, _ eu te peço em nome de Deus vivo a nos declarar si tú és o Christo filho de Deus!
Jesus não ignorava que uma resposta affirmativa equivalia, aqui, a um decreto de morte. Mas era necessario não deixar a minima duvida sobre a sua personalidade, era preciso proclamar uma verdade que era como que o eixo moral de toda a sua vida. De modo que:


_ Tu o disseste, - respondeu solemnemente, _ Eu o sou!
A taes palavras, rasgando as vestes:

_ Blasphemia, blasphemia! - Gritou o Presidente do Conselho. _ Não ouvistes? Que necessidade temos nós de testemunhas?

_ Reus est mortis! é reo de morte! - foram as unicas palavras que echoaram lugubremente sob as abobadas da grande sala.

E Jesus foi condemnado á morte. Desde esse momento (podiam ser tres horas da madrugada) Jesus foi entregue á soldadesca, sob cuja custodia foi conservado até ao amanhecer, hora em que se reuniu, novamente, o Synhedrio.

Era, pois, o 15 de Nisan, ou 7 de abril de 783 da fundação de Roma, dia de sexta-feira, e cerca das 05 horas da manhã, quando todos os membros do Supremo Conselho, se achavam reunidos no Gazith. (3)
Apesar da solemnidade com que se quiz revestir o Synhedrio, tratava-se apenas de confirmar a sentença de morte pronunciada contra Christo, na madrugada daquelle dia, por uma fracção da assembléia. O interrogatorio, portanto, a que foi submettido Jesus, durou breves instantes.

_ És tu o Christo? - foi-lhe perguntado.
_ Si disser que o sou, - respondeu Jesus, _ vós o não acreditareis. Si eu vos interrogar, vós não me respondereis, nem me deixareis em liberdade.

_ Mas, afinal, és tu o filho de Deus?
_ Vós acabaes de dizel-o, eu o Sou!
E mais nada. Era uma segunda edição, aliás compendiada, do interrogatorio precedente, com a differença de que aqui, não houve inquirição de testemunhas. Mas era o sufficiente. A assembléa alcançára o seu fim, isto é, ouvir da própria bocca de Christo a confissão de que era o Filho de Deus, o que constituia, para elles, delicto de pena capital.
O Processo religioso estava terminado, e ia-se, em seguida, dar inicio ao Processo civil.


Notas de rodapé * Para voltar ao texto, clique sobre o tópico correspondente.

(1) Matheus, XXVI, 60 - Marcos, XIV, 55, 56, 57.
(2) Marcos. XIV, 56
(3) Era uma grande sala destinada ás sessões. Officiaes, no recinto do Templo. 


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