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Artigo N.º 3523 - A vocação como encontro com Deus
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Postado em: 01/11/09 às 08:52:13 por: James
Categoria: Artigos
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Normalmente quando nos referimos à vocação, principalmente àquela voltada à vida religiosa, recorremos aos Evangelhos e entendemos a vocação a partir daí, como aquela que diz respeito à dos apóstolos e dos discípulos de Jesus.

Porém, nem sempre conseguimos superar esta idéia e pensar que esta vocação é apenas um “esse” daquela corrente que iniciou daquele encontro com o Senhor mesmo. Antes de chamar os seus, de fato Jesus, recebeu por sua vez, um chamado especial feito pelo Pai, do qual ele soube acolher, por assim dizer, a sua “vocação”.

Essa vocação é nos revelada através do seu batismo, realizado no Jordão por são João, o Batista e das tentações sofridas no deserto.

“Este é o meu Filho bem-amado, aquele que me aprouve-lhe escolher” (MT 3,17).

Assim diz a voz que sai do céu quando Jesus é batizado, rompendo o grande silêncio. Eis, esta é uma vocação em sentido estrito, que revela a sua identidade e a sua missão, a de abraçar o Seu ser Filho de Deus.

Para acolhê-la, Jesus deve dar uma resposta forte, decisiva e corajosa. Deve confrontar o tentador:

“Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se transformem em pães” (Mt3,3). O insidiava a voz do tentador. “Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt3,4), respondia Jesus com a inteligência que comporta a sua vocação, isto é, com a decisão de ser fiel àquela sua outra identidade: ele não é somente Jesus o Nazareno, mas é também o Filho de Deus.

Tanto é verdade que ele sabe o que escolher, quer viver não somente de pão, mas da Palavra de Deus. Portanto, de liberdade e de relação com o Pai. E esta Palavra se torna pão na sua mesma boca: sua vocação se traduzirá em uma precisa missão.

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me conferiu a unção para anunciar a boa nova aos pobres. Enviou-me para proclamar aos cativos a libertação e aos cegos, a recuperação da vista, para despedir os oprimidos em liberdade, para proclamar um ano de acolhimento da parte do Senhor”
(Lc 4,18-19). A vocação se torna obra de amor e de resgate.

Mas a mesma vocação do Filho de Deus possui um voltar-se para a terra, um olhar para baixo, para o plano horizontal, onde se encontra o frágil e o sedento de amor.

O Evangelho da infância nos ajuda a aprofundarmo-nos na realidade da pré-história de Jesus. Acontece de fato que mesmo que a vocação de Jesus, seja o primeiro “esse” daquela corrente, que plasticamente coloquei como exemplo, temos ainda outro fator vocacional que a antecede, por que antes da vocação de Jesus temos a de Maria e também a de José, seu pai putativo.

Eles foram chamados a seguir o desígnio de Deus, que queria para o seu Filho, genitores, cada um com suas particularidades. Isto nos mostra que não existe em nenhuma parte, uma vocação isolada, mesmo aquelas que chamamos de enclausurada ou ainda heremítica e pior ainda vocações com tonalidades de magia e prodígios fantasiosos.

A vocação é uma experiência vivida com Deus, que é tecida na mente da pessoa, a recordação como algo bom de ser lembrado e sobretudo celebrado, portanto, que deixa sinais da aliança feita com Deus, que ajuda a pessoa a levantar a sua voz para desta forma, anunciar a vontade de Deus sobre esta terra e de denunciar as injustiças deste mundo.

Como em cada história de amor, a vocação não é uma catedral levantada em pleno deserto, mas é um fazer-se carne de um ser lá onde tem alguém que chama, que grita e que procura por Deus. É um dizer como Maria: “Eis-me aqui, faça-se em mim segundo a vossa vontade”.

É um querer, portanto, se colocar em ação respondendo afirmativamente o grito daqueles que procuram e clamam por Deus. Penetrando na memória da vocação chegaremos, assim, ao seu “esse” primordial e misterioso, diria que esse “esse” na verdade é aquele onde encontramos a vocação por excelência, e a vocação por excelência, acredito eu, não é outra senão aquela de Deus.

A vocação de Deus, é um chamado especial, é um voltar-se totalmente para o outro, e aqui não existe felizmente, meios ou bloqueios que distorce o interesse de Deus, o seu chamado é colocar-se na ação de escutar, de ouvir o grito do homem, que perdido em meio às dores, as escravidões e nas injustiças deste mundo, está sendo quase calado.

É o homem de fato, que se coloca a chamar por Deus, a querer refugiar-se n’Ele, pois sabe que em Deus encontra o seu refúgio, destarte, ele levanta o seu olhar para o céu e recorre ao seu Criador. Na terra, o homem sabe que ninguém poderá escutá-lo com a precisão que de fato, necessita.

Então, daí temos um Deus, que abre o seu ouvido, que escuta a voz e escolhe de se envolver, dizendo sim e abaixando-se para acolher Israel, isto é, nós seres humanos, fracos e sedentos do seu amor.

Ele respondeu afirmativamente de tal modo à sua vocação, que para poder assimilá-la totalmente, se fez em fim, carne, assumindo um corpo, tatuando em si mesmo, para usarmos um linguajar mais hodierno, os traços da nossa fragilidade, que são as nossas fraquezas e impotências.


Pe. Martinho Maria de Porres, F.M.D.J.
Promotor Vocacional


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