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Artigo N.º 3306 - SACERDÓCIO UM MISTÉRIO DE AMOR
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Postado em: 09/10/09 às 19:27:21 por: James
Categoria: Artigos
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Na mensagem do dia 02 de Agosto de 2008, Nossa Senhora Rainha da Paz, nos deu uma bela mensagem por meio da vidente Mirjana:

Queridos filhos, com a minha vinda até vós, com a minha presença em vosso meio, se reflete a grandeza de Deus, e se abre a estrada com Deus rumo a felicidade eterna.

Não sintam-se fracos, sozinhos e abandonados.

Com a fé, com a oração e o amor, caminhem na colina da salvação.
A Santa Missa é o mais sublime e o mais forte ato da vossa oração, seja ela o centro da vossa vida espiritual.
Creiam e amem, filhinhos meus. Nisto vos ajudarão também aqueles que meu Filhos escolheu e chamou ( os sacerdotes ). Para vós e de modo particular a eles, dou a minha bênção materna.
Vos agradeço.

Quero iniciar este tema, falando sobre o Sacerdócio Católico como um grande Mistério de Amor, mas antes vou frisar uma frase da mensagem de Nossa Senhora Rainha da Paz, em que Nossa Senhora diz: “Creiam e amem, filhinhos meus. Nisto vos ajudarão também aqueles que meu Filhos escolheu e chamou ( os sacerdotes ). Para vós e de modo particular a eles, dou a minha bênção materna”

Hoje com alguns anos de Padre, olho para trás, e não consigo ficar sem agradecer todos aqueles sacerdotes que de um modo todo especial entraram em minha vida, não por acaso, mas por vontade de Deus, sendo o sinal, mas não somente o sinal, mas o próprio Cristo presente em minha vida.

Como não agradecer tal dom? Embora a mídia sempre calunia a Igreja, a figura do padre, percebo que estes casos de escândalos que surgem, não devem ser encobertos, pelo contrário devem vir a tona, e devem ser julgados também pelos órgãos públicos, mas tudo isso, não é nada em comparação ao grande bem que faz um sacerdote na vida de uma pessoa, de uma paróquia, de uma cidade.

Inicio convosco este comentário consagrando este tempo a Maria Rainha da Paz, que nos chamou a sermos sacerdotes a trabalharmos na vinha do Senhor, nos confiando tantas almas para serem apascentadas.

Somente Deus em seu grande mistério de amor conhece a história de uma vocação sacerdotal, e o profundo mistério que habita e vivi um coração sacerdotal.

O nosso amado Papa João Paulo II, no seu livro “Dom e Mistério”, disse: “Deus nos seus desígnios mais profundos, conhece cada vocação, na qual o sacerdócio é o grande mistério, é um dom que supera infinitamente o homem”.

Cada um de nós, sacerdotes, o experimenta em sua vida, e diante deste imenso dom, sentimos o quanto somos frágeis, inadequados. Por isto, a vocação é um mistério da eleição divina “Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu que vos escolhi, para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça”, E, como nos diz o autor do livro dos hebreus, “ninguém pode atribuir-se esta honra, se não aquele que é chamado por Deus”.

Sabemos que Deus nos chamou, configurando-nos a sua semelhança, confiando a cada sacerdote uma missão.

Jeremias, o grande profeta nos diz:
 “Antes de formar-te no seio materno te conhecia, antes de nascer, eu já te havia consagrado, e te estabeleci profeta das nações”. Estas palavras fazem tremer a alma sacerdotal, pois Deus nos chamou para uma vocação santa, não devido as nossas obras, mas segundo o seu propósito e a sua graça. Assim Deus que é eterno já em seu coração traçou todo o bem e a história de seus escolhidos.

A mãe Igreja nos ensina que, embora pequeninos e insignificantes, na imensidão do cosmos, como sacerdotes, somos seres capazes de agir com liberdade. Liberdade que faz destes seres pequenos e minúsculos que somos, seres capazes de amar com o mesmo amor de Deus, de dar amor, embora também o nosso coração clame por amor, assim, sabemos que o sacerdócio é fonte de vida, e que certas vidas possuem a verdadeira vida de Deus, a causa da cura de uma alma sacerdotal, que tem por missão dar o perdão, a paz, o amor, e a sua vida, como Cristo a deu.

Quantos mistérios possui uma alma sacerdotal! Quantas os mistérios de Deus e dos homens a ela foi revelado! Mistérios estes que faz com que o próprio sacerdote seja um mistério para ele mesmo, um mistério de amor.

Não podemos falar de sacerdócio, sem antes elevar os nossos olhos ao primeiro, e supremo sacerdote, Nosso Senhor Jesus Cristo, que com a sua beleza, e proposta nos arrasta em seu amor, também nos conduzindo a oblação de nossas vidas por amor, fazendo com que o nosso sacerdócio, brote do amor do Seu amor oblativo por nós, amor tal que se fez concreto ofertando a Sua vida na cruz, tendo como pano de fundo o incomensurável amor misericordioso do Pai, que quis salvar todos os homens.

Podemos observar como a graça da ordenação sacerdotal nos transforma, nos capacitando a agir in Persona Christi, e assim sendo tomados por Cristo, ser dispensadores dos mistérios da salvação.
Podemos afirmar que comemorar o sacerdócio é comemorar a vida, pois o sacerdote não é apenas o homem da liturgia, mas faz da sua vida um culto litúrgico, uma entrega uma doação, identificando-se com a realidade da cruz, que é doação e entrega, se entregando aos irmãos e a Igreja, fazendo de sua vida um sacramento intenso e fecundo.

Dom Tonino Bello, Bispo de Molfeta, poucos meses antes da sua morte, pregou um retiro espiritual para sacerdotes em Lourdes, e dizia que o Sacerdote é o Cirineu da Alegria, e não da cruz, embora a Cruz faça parte de sua vida de um modo todo particular, o sacerdote é aquele que vive a Cruz, mas a vive com Cristo, com alegria, sabendo que nela existe a salvação, pois somos acima de tudo, amados por Jesus, que é a nossa luz, a nossa alegria, o nosso caminho, sendo este sofrimento um grande dom de amor vivido com Cristo, por Cristo e em Cristo, para a salvação dos homens e para a maior glória de Deus.

Dizia Dom Tonino: “Nós sacerdotes, não somos somente os portadores do sofrimento do mundo, não somos somente Cirineus da cruz, mas somos os cirineus que ajudam o mundo a levar a sua Cruz com alegria e esperança, como também somos portadores da alegria, chamados a infundi-la no mundo”.

Quanto consolo encontrei diante de uma alma sacerdotal, quanta esperança, diria até palavras de conforto, ânimo, vida nova, o próprio abraço de Deus, que me perdoava, compreendia e me amava, lendo não o meu pecado, mas o meu coração, sendo ele próprio a pessoa de Deus que acreditava em mim, e me olhava com amor. Quanto amor concreto!!! Tempo doado, uma vida doada, sem querer nada em troca a não ser a minha felicidade, o meu encontro profundo com o Senhor, embora ele pobre homem como eu era necessitado totalmente e dependente deste amor, mas embora fraco, miserável, insignificante, nele esta o segredo do amor, a própria presença do Cristo sacerdote que me tocava, acolhia e amava, e só como Cristo me dava o Seu amor.

Já antes de ser padre, o meu respeito era imenso diante de um sacerdote, hoje sendo padre, é ainda maior, pois agora sei o grande mistério de alegria, amor e sofrimento que há em um coração sacerdotal, mistério este que só Deus pode conhecer. Mistério de uma alma que não se pertence mais, que deve ser desapegada de tudo e de todos, mas ao mesmo tempo amar cada um como único, com o amor de Deus.

Deste modo o sacerdote é homem da esperança, é o homem também para o mundo, sem ser do mundo, mas o homem chamado por Deus a entrar no mundo da violência, das drogas, das periferias, da prostituição, mundo este que se faz presente em tantos corações longes de Deus. Este é o mundo, como vemos ao nosso redor, o mundo que se transforma, e que muitas vezes não entendemos, por falar uma linguagem diferente da nossa. Por este mundo o eterno sacerdote deu a sua vida, e não fechou os seus olhos, e nos ensinou a fazer o mesmo.

O Sacerdote é Sacerdote para a Igreja, e para o mundo, aberto as realidades de uma Igreja que caminha no mundo, e não fechada em si mesma, mas é sacerdote também para uma Igreja que supera as suas barreiras, que caminha à frente, que não fecha os olhos à escuridão do mundo, mas que mostra a sua força libertadora, dizendo aos que estão nas trevas “Vinde a Luz”. Assim o sacerdote é um homem separado por Deus, mas que ao mesmo tempo é totalmente imerso na realidade do mundo.

Para nós sacerdotes, homens da Igreja, o mundo não é o resto dos rejeitados pela Igreja, dos excluídos, dos que estão no inferno, dos amaldiçoados, como também não é aquele que compete com a Igreja, rival da mesma, mas é o final, a meta da Paixão de Cristo, que amou tanto o mundo, a ponto de dar a sua vida por ele, e por isso é também a meta final da paixão que existe em um coração sacerdotal, em busca do projeto de salvação e libertação do homem, pois o sacerdote como diz alguns escritos antigos, é o homem de Deus, como também, o Homem-Deus, configurado a Cristo, que possui em seu coração todo o desejo e o ardor da salvação das almas, e que ama de modo particular aquelas que estão mais distantes do coração do Pai, “deste modo o sacerdócio que ministramos, não nos pertence, mas vos pertence, somos padres para a vossa santificação, para o serviço, e juntamente convosco somos fiéis” ( como nos diz Agostinho).

Nós padres, somos chamados não somente a consagrar a eucaristia, através da imposição de nossas mãos ungidas e consagradas, mas também a tocar este mundo com as nossas mãos, para transformá-lo, para consagrá-lo e oferece-lo ao Pai, para que ele também se torne ação de graças.

Ser sacerdote é viver sempre a Alegria do Cristo Ressuscitado, é aderir com toda a sua vida, com fé e confiança aos designos de Deus, mesmo tendo muitas vezes o seu coração partido, mas sempre esperançoso, sabendo que a ultima palavra é sempre a de Deus.
Jesus diz: “Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, não dará fruto’. Só vemos o fruto de um sacerdócio bem vivído, quando o sacerdote morre para si mesmo, para moldar-se aos projetos de Deus, de Maria, de Cristo, que o faz trocar o seu próprio projeto de vida, o seu sonho, pelo sonho de Deus.

Neste momento louvo e agradeço a Deus pela vida do nosso fundador, pelo seu sacerdócio, que morrendo para si, nos gerou a vida, fundou este Mosteiro, nos encaminhou como comunidade monacal, ou monástica, e que buscou nos formar padres segundo o coração de Deus e da Santa Mãe Igreja, nos ensinado que vale a pena amar, perdoar, vale a pena ser de Deus e morrer para nós mesmos, mesmo quando tudo parece escuro e sombrio. Ensinou-nos também com a sua vida e exemplo a viver bem o nosso sacerdócio.
Percebo que na vida sacerdotal do nosso fundador, houve sempre a cruz, mas que esta foi sempre fonte de vida, como foi a vida de Cristo, que por onde passava, fazia o bem, fazendo a vontade do Pai, e mesmo que muitas vezes desejaria dizer “Não”, dizia “Sim”.
Neste momento dentro do meu coração vibra as palavras do amado Papa João Paulo II, e quero com elas, consagrar o meu sacerdócio nas mãos de Maria, como também o sacerdócio dos meus irmãos padres dizendo: “Totus Tuus, ego sum, Maria” Todo teu Maria, completamente teu ò Maria.

E a que estais lendo este comentário, povo santo, povo sacerdotal, irmãos no Senhor, pedimos as vossas orações, para que saibamos sempre servi-los, com o coração despojado, para que saibamos também seguir sempre o Senhor em santidade e fidelidade.

Termino com a oração composta pelo teólogo Dom Bruno Forte:

Senhor Jesus Cristo,
Filho de Deus e redentor do homem,
Manda sobre nós o teu Espírito Santo,
Para nos ajudar a viver com fidelidade e liberdade a nossa vocação,
Seguindo a ti luz da vida,
Purifica o nosso coração.
Seguindo a ti luz da vida,
Faz-nos compreender a vontade do Pai.
Seguindo a ti luz da vida,
Faça uma obra nova em nós.
Seguindo a ti luz da vida,
Ajuda-nos a sermos as tuas testemunhas.
Seguindo a ti luz da vida,
Leva-nos a contemplar a beleza eterna.
Somente Tu és a luz dói mundo!
Somente Tu és a luz da nossa vida, no tempo, na peregrinação da nossa vida e para sempre.

 Glória a Ti Senhor pelo imenso dom do sacerdócio, e que nós também possamos dizer como Paulo: “Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim”.

Agradecemos a Rainha da Paz por este imenso dom, a também ao nosso Fundador, que acreditou em nós, nos formou, educou e acompanhou e nos ensinando com a sua vida e busca de santidade, o grande papel que exerce um sacerdote, e se hoje sou Padre, devo muito a ele, sendo eternamente grato, por ter me gerado para Cristo Sacerdote.

Deixo-lhes a bênção do Senhor:
 “O Senhor vos abençoe e vos guarde.
 O Senhor vos mostre o Seu rosto e tenha Misericórdia de vós.
 O Senhor volta para vós o Seu rosto e vos dê a Sua Paz.
 O Senhor vos abençoe.
 Em Nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém!”

UM FRATERNO ABRAÇO!!!
Pe. Mateus Maria, FMDJ

 


Unidos em oração com Maria
paniejezuufamtobie@terra.com.br
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