TRATADO DO PURGATÓRIO (Com aprovação eclesiástica)
 
 
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O Purgatório




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Postado em: 23/10/09 às 22:54:55 por: James
Categoria: O Purgatório
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Apresentação

Catarian Fieschi, chamada o Serafim de Gênova e a santa do puro amor, nasceu na primavera de 1.447. Desejava, ainda adolescente, ingressar na vida religiosa consagrada, mas as imposições sociais e familiares prevaleceram e ela casou-se com Juliano Adorno.

Foram cinco anos de abandono, decepções e sofrimento. Por estranha reação decidiu lançar-se nas frivolidades da vida. Diz seu biógrafo: “Para compensar as tribulações que lhe causava o marido e para diminuir tantos afãs, Catarina entregou-se aos prazeres e às vaidades do mundo e neles se comprazia”. Assim, viveu cinco anos.

       Aos vinte e seis anos, triste e abatida, não sabia o que fazer. Foi então que Deus irrompeu em sua alma com torrentes de graças que a fizeram exclamar: “Não mais o mundo! Não mais pecados! Ó Amor, não mais pecados”. O fogo do amor transformou rapidamente aquele coração generoso. Arrebatada por atração divina, disse: Oh! amor, eu não posso compreender que tenha de amar outra coisa fora de Ti...” Este amor causa tanta alegria que qualquer outra alegria, em comparação, é tristeza.

       Catarina viveu o amor e ensinou o amor. Dela afirma São Francisco de Salles: “Santa Catarina é mestra na ciência do Amor” e São Luiz Gonzaga: “As chamas que reverberaram do incêndio de amor de Santa Catarina abrasaram minha alma”. Consumida pelo amor Catarina foi ao encontro definitivo com Deus aos 15 de setembro de 1510. Tinha 63 anos.

       O TRATADO DO PURGATÓRIO é fruto de suas experiências místicas de 1501. Tais experiências são o paradigma do Purgatório. O leitor não estranhe se no TRATADO encontre colocações que pareçam discordar do que há lido sobre o Purgatório, pois, como dissemos o TRATADO resulta de experiências da Santa. Isto não exclui outros modos de ver aquela realidade.

       A doutrina de Santa Catarina a respeito do Purgatório pode ser resumida em alguns pontos-chave que apresentamos para facilitar a compreensão do TRATADO.

Amor-egoismo – O amor é Deus e o egoísmo é o pecado. O amor é felicidade e merece prêmio. O pecado é infelicidade e merece castigo eterno no inferno ou provisório no Purgatório.

Vida-Morte - O homem é protagonista de sua história, define seu destino tanto para o bem como para o mal. A morte fixa-o definitivamente conforme sua escolha.

Dinâmica da graça e do pecado: A graça tende a assemelhar-nos a Deus. O pecado tende a separar-nos de Deus levando à auto destruição.

Fim da graça: O Paraíso. Fim do pecado: O inferno

A santidade de Deus: Ela não admite manchas. A alma com a menor imperfeição, afasta-se da presença de Deus por uma intrínseca repugnância entre o pecado e a graça, a fealdade e a beleza.


Purgatório: É uma mescla de sofrimento e gozo. São as duas faces do amor: amor purificador e amor unitivo.

Inferno: É a privação do Amor. Tortura total.

O TRATADO insiste na expiação, no sofrimento: Porem, é sobretudo, um ato ao Amor e à felicidade.
 

Perfeita conformidade das almas sofredoras com a vontade de Deus

        As almas que estão no purgatório, segundo me parece compreender, não podem ter nenhuma outra escolha a não ser de estar nesse lugar. Isto acontece pela disposição de Deus. Não podem essas almas voltar-se sobre si mesmas, nem dizer: “Eu cometi esses pecados, pelos quais mereço estar aqui”. Nem pode dizer: “Quisera não tê-los cometido, porque agora estaria no paraíso”. Nem sequer exclamar: “Esta alma sairá daqui antes de mim”, ou, “sairei antes dela”.

       Não podem ter lembrança de si mesmas nem dos outros (de bem ou de mal) que possam causar-lhe maior aflição da que já têm. Ao contrário, tem tal contentamento de se encontrarem na disposição e do que Deus nelas realiza quanto quer e como quer que não podem pensar em ter pena maior para si mesmas.

       Vêm somente as operações da divina bondade que, com tanta misericórdia, conduzem o homem para Deus: Por isso, não podem ver nem os sofrimentos, nem os bens que possam acontecer ao homem como coisa dele. Se pudessem ver isto, não estariam em caridade pura. Não podem ver que estão nestas penas por seus pecados nem podem ter esta idéia na mente, porque isso seria uma imperfeição ativa, a qual não pode existir nesse lugar, porque atualmente não se pode ali pecar.

       A causa de estarem no purgatório, essas almas a vêm uma só vez, quando passam desta vida. Já não podem vê-la mais, pois, caso contrário, haveria uma posse. Portanto, estando essas almas em caridade e, não podendo desviar-se dela com nenhum defeito atual, não podem querer nem desejar senão o puro querer da pura caridade. Estando no fogo do purgatório, estão dentro da disposição divina, a qual é caridade pura, e não podem desviar-se o mínimo em nenhuma outra coisa, porque estão também igualmente impossibilitadas de pecar como de merecer.








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